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Baseado na história real de Philippe Pozzo di Borgo, Olivier Nakache e Éric Toledano realizaram em 2011 este filme que relata uma relação de amizade que, literalmente, salvou a vida de um homem disposto a morrer após viver as mais duras experiências da sua vida. Mas comecemos por conhecer quem é a figura que inspirou esta obra cinematográfica. Philippe Pozzo di Borgo é membro da alta aristocracia francesa e nasceu no ano de 1951 em Neuilly-Sur-Seine, tendo, após completar a sua formação, desenvolvido a sua atividade em torno da indústria do champanhe. Foi diretor, entre outras, das famosas casas de champanhe Moet et Chandon e Pommery.

Em Junho de 1993 foi vítima de um acidente de parapente que o deixou tetraplégico, preso a uma cadeira de rodas. Como se não bastasse, a sua mulher, Béatrice Roche, faleceu três anos após o acidente de Philippe, tendo este entrado numa depressão profunda ao ponto de tentar o suicídio. É aqui que surge Abdel Yasmin Sellou, argelino, com uma vida um tanto ou quanto complicada nos subúrbios de Paris, que passa a fazer parte da recuperação, e da vida, de Philippe.

Os atores no centro da narrativa são François Cluzet (Philippe) e Omar Sy (Driss), este último em destaque na atual série da Netflix, “Lupin“, a que oportunamente daremos o devido destaque. O filme começa com o processo de seleção de um assistente para auxiliar Philippe nas tarefas necessárias ao cuidado de uma pessoa com as limitações a que este está sujeito: higiene, vestir, deitar, levantar, dar de comer, etc.

François Cluzet (Philippe) e Omar Sy (Driss)

Não sendo fácil a permanência de uma pessoa disposta a auxiliar Philippe nos moldes que este exige, Driss acaba por ficar com o lugar mesmo não tendo as habilitações técnicas para o fazer. As expectativas de Philippe são baixas, mas com o tempo a sua abordagem vai-se alterar e começar a ver as coisas de outra perspetiva…

Ao longo da película vamos assistindo a um Driss jovem, vivido e com uma abordagem descomplexada da vida. Por outro lado, Philippe oferece alguma resistência a libertar-se da vida depressiva em que está mergulhado, não vendo interesse em praticamente nada que o rodeia. É neste choque de personalidades que a relação de amizade entre patrão e empregado se vai desenvolver. Ainda que de uma forma básica (por ventura a mais eficiente…), Driss vai ativando os sentidos de Philippe, devolvendo a este o prazer das pequenas coisas. Ao longo do tempo a relação de amizade e dependência de ambos vai crescendo, e a determinada altura esta torna-se vital para o que o futuro lhes reserva.

Apesar das suas limitações físicas, Philippe teve a necessidade de manter viva a chama do amor, mantendo uma relação escrita com uma mulher que não conhecia presencialmente. Com a ajuda de Driss promove um encontro, mas à ultima da hora perde a coragem e vai-se embora. Mais tarde, Driss leva Philippe numa viagem com um destino que este desconhecia e que culmina no encontro com essa mulher que se viria a tornar a sua segunda esposa.

“The Intouchables” (2011)

O filme termina com a “passagem de testemunho” de Driss ao promover este encontro entre ambos. A relação de amizade prevalece até ao dia de hoje e Philippe é um homem realizado com a sua companheira.

Mais do que o relato real de uma fase da vida de um homem com total dependência dos outros, este filme mostra-nos que tudo é possível na vida e que nunca devemos desistir de ser felizes. O valor do amor e da amizade entre estes dois homens foi suficientemente forte para resgatar uma pessoa decidida a desistir da vida, mostrando-lhe que existe sempre algo mais para viver.

A felicidade nem sempre é um estado pleno, no entanto existem inúmeras formas de a tentar atingir, pois o importante é encontrar o caminho certo. Um homem simples e sem formação como Driss mostrou a um multimilionário deprimido como o caminho se faz com coisas simples e que o amor é sempre mais forte que qualquer limitação física ou mental.

Um grande tributo ao cinema francês contemporâneo e de visualização obrigatória.

Jorge Gameiro

Rating: 4 out of 4.

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