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Após a Segunda Guerra Mundial, o serialismo foi o som que dominou a música moderna, que enfatiza as progressões e variações estruturais. Em 1964, como resposta a esse fenómeno, Terry Riley compôs In C para qualquer número de qualquer tipo de instrumento. Considerada frequentemente como a primeira composição minimalista, este trabalho teve tanta influência e impacto na consciência pública, que foi gravado várias vezes, mesmo por músicos de rock.

Em “In C”, a partitura tem 53 frases musicais diferentes, com duração de meia batida a 32 beats. Os artistas podem tocar cada frase um número arbitrário de vezes como um loop, iniciando-as em momentos diferentes, para que a música entre e saia da sincronia. Embora o conteúdo melódico de cada parte seja predeterminado, esta peça possui elementos de música aleatória. Além disso, “In C” não tem duração definida; as performances podem durar apenas quinze minutos ou várias horas, embora estas normalmente tenham uma média de 45 minutos. O número de artistas também pode variar consoante as apresentações. A gravação original da peça foi tocada por 11 músicos, enquanto que noutras performances houve até 124 músicos.

Sempre que “In C” começa, o pulso constante da nota Dó é a primeira coisa que se ouve. É também a única coisa que permanece igual durante toda a obra, até o momento em que todos os outros músicos se curvaram após o crescendo final do padrão 53. A função do pulso é fornecer um ritmo estável, sobre o qual os padrões musicais em constante mudança são construídos. Embora isso seja contra-intuitivo, os padrões curtos e algumas regras simples sugerem uma espécie de abordagem improvisada.

Em suma, “In C” é uma obra-prima e uma peça inovadora de música minimalista. Sendo avant-garde em muitos aspetos, introduziu elementos de música repetitiva e até drone. As infinitas possibilidades de tocar esta composição permitem que cada atuação seja única, ao contrário da maioria das músicas que já foram escritas e executadas sempre com o mesmo esqueleto, estando organizadas em estruturas narrativas familiares.

Dois exemplos desta peça ao vivo, com as suas devidas diferenças e parecenças:

João Filipe

Rating: 3.5 out of 4.

One thought on ““In C”, Terry Riley: Um trabalho percursor da música minimalista

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