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Porque A Arte Somos Nós

Existem momentos da nossa vida que dificilmente esquecemos!

Foi há cerca de 37 anos que, num fim de tarde ameno na cidade de Setúbal, saía de uma sala de cinema com alguns amigos maravilhado e comovido com o que acabava de ver. “ET – O Extra Terrestre” (1982) era o filme do momento – tinha estreado há meia dúzia de dias. Steven Spielberg conseguiu voltar a arrebatar mais umas dezenas largas de corações com a sua obra cinematográfica, que se resumia à relação de uma criança com um ser vindo de outro planeta que, por obra do acaso, acabou por passar uns dias junto de todos nós, mas que a dada altura teve que partir de regresso à sua “terra”, provocando uma convulsão de choro a Elliott (Henry Thomas) e… a todos que assistiam àquele final emocionante, sentados nas suas cadeiras de cinema!

Dois ou três anos mais tarde assisti, já na cidade do Porto, a outra película que nunca esqueci (tive oportunidade de a rever há cerca de seis meses). Francis Ford Coppola trazia-nos as revelações Matt Dillon, Mickey Rourke e o seu sobrinho Nicolas Cage, devidamente coadjuvados por Dennis Hopper. “Rumble Fish” ou “Juventude Inquieta” (1983), segundo a tradução feita em Portugal, é um filme a preto e branco com apenas dois momentos de cor e traz-nos a imagem de um irmão herói, motoqueiro, que acaba por sucumbir à imagem de rufia que o persegue no contexto dos gangues de uma América sectária e intolerante. Também não posso esquecer “A Lista de Schindler” (1993), “Forrest Gump” (1994) ou mais recentemente “Moonlight” (2016), “Três Cartazes à Beira da Estrada” (2017) ou “Green Book – Um Guia Para a Vida” (2018) e tantos, tantos outros! Histórias simples e mundanas do nosso dia-a-dia. Sem filtros, sem efeitos, e sem pressupostos complicados. Pessoas que amam pessoas (ou extra terrestres!). Pessoas que sofrem por pessoas. Pessoas que lutam por ideais sem pensar nas consequências. E, tudo isto, no ecrã de uma sala de cinema ou de uma televisão, com pessoas a sério, de carne e osso, que levam ao limite a sua capacidade de nos tocar! Tão somente isto, de nos tocar.

Cinema é isto: ser tocado. É sentir um aperto no coração. É soltar uma lágrima com emoção. É querer partilhar com o actor o momento. É revermo-nos na acção.

Esta é, e será sempre, a sétima arte. Porque arte é isso mesmo, um veículo de partilha de sentimentos. De quem concebe para quem vê e sente. E, acreditem, se nunca esquecemos um filme, seja ele qual for, é porque o realizador e os atores (e toda a equipa que trabalha numa produção) cumpriram a sua missão.

Bons filmes.

Jorge Gameiro

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