OBarrete

Porque A Arte Somos Nós

As exposições coletivas, de modos diferenciados e com pressupostos específicos, conseguem diluir as fronteiras e os territórios da arte, nomeadamente pela mescla de suportes e de linguagens, pela interdisciplinaridade, numa verdadeira compreensão e articulação do contexto português com as tendências de fundo internacionais, enriquecendo com sensibilidades, propostas, recuperações da história e imaginários.

A produção teórica e objetal da arte surrealista do início do século XX, a qual, pela sua capacidade de auto-superação, enriquece os conceitos de vanguarda e de pós-modernismo, abrindo deste modo, e pela primeira vez em tempo real e útil, a possibilidade de a arte praticada entre nós se tornar participante do movimento geral da arte.

“Every notion is born along with its form. I make reality of ideas as they come into my head”


Méret Oppenheim
https://www.artapartofculture.net/new/wp-content/uploads/2014/08/Meret-Oppenheim.-Object.-Paris-1936.jpg
Méret Oppenheim. Object (Le Déjeuner en fourrure). Paris, 1936

A obra vanguardista pertence a Méret Oppenheim, uma artista nascida em 1913 na Alemanha e que fez parte do movimento Surrealista já nos anos 20, juntamente com Luis Buñuel e Marcel Duchamp, entre outros artistas. Entre os temas mais explorados pela a artista destaca-se principalmente a sexualidade feminina.

“Object (Le Déjeuner en fourrure)” é uma escultura concebida em 1936, que consiste numa chávena, num pires e numa colher, cobertos em pele. O conceito para esta obra originou-se numa conversa entre Méret, Pablo Picasso e Dora Maar, num café parisiense, onde o papel social do próprio café foi discutido. Picasso havia sugerido que qualquer coisa poderia ser coberta de pelo e Méret observou que isso se aplicaria mesmo naquela chávena e pires.

Na obra original, a chávena, o pires e a colher eram objetos comuns adquiridos na Monoprix, uma loja de departamentos em Paris; e a pele era de uma gazela chinesa. Uma das possíveis interpretações consiste em que o conjunto de chá, parte tradicional nas artes decorativas femininas, representa a domesticidade, enquanto o revestimento em pele representa o erotismo e a animalidade.

Esta peça pode ser encontrada no museu de arte moderna em Nova Iorque, nos Estados Unidos da América.

Bibliografia

Oppenheim, Meret (1988). Meret Oppenheim: New York. New York: Kent Fine Art.

João Filipe

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