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Porque A Arte Somos Nós

O documentário em formato de curta-metragem “A Vida Dura Muito Pouco”, com os seus 23 minutos e realizado por Dinis Leal Machado, aborda a vida do músico José Pinhal. Cá no Brasil designamos o seu estilo como brega, e temos como parâmetros Odair José. Pinhal foi resgatado recentemente, após brilhar na cena Norte de Portugal, nos anos 80, e foi um dos artistas que ficou no limbo após o fim de uma era de compactos de vinis, os “bolachões”, as fitas K7 e os programas de rádio enfim, apresentando-se em casas noturnas e sendo relativamente famoso.

Mas veio o limbo neste período super digitalizado do mundo de hoje, onde quase nada da obra do artista havia sido registada. Num belo trabalho de investigação, um grupo de jovens conseguiu escavar a música de Pinhal, com direito até a uma banda cover, a José Pinhal Post-Mortem Experience, que atualizou a sua musicalidade. Na performance ao vivo, quase me pus a dançar, pois a banda-sonora é contagiante. O resultado de todo esse esforço de escavação, digitalização, mídias sociais e o próprio documentário é singelo, importante e faz a hiper-conexão trabalhar a nosso favor.

“A Vida Dura Muito Pouco”

Assistindo ao filme, fiquei feliz ao passear pela cidade do Porto, perceber que existe uma gama de jovens artistas que atentam para o novo, mas sem modismos e pouco preocupados com a arte que dá mais dinheiro. Um documentário de resgaste, uma trilha musical cafona (mas aqui serve como elogio) de forma a casar bem as imagens e a cadência.

Se o artista Pinhal já era sabedor de que “a vida dura muito pouco” (faleceu de forma trágica em 1993 enquanto voltava de um concerto), este documentário imortaliza-o e finca uma bandeira na região Norte de Portugal, revelando aos mais jovens um genuíno Júlio Iglesias português.

Este filme pode ser visto no Porto/Post/Doc no dia 24 de Novembro (terça-feira), às 20:15 horas, no Passos Manuel. Consulta a programação diária aqui.

Marcelo Pereira Rodrigues

Rating: 4 out of 4.

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