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Há poucos acontecimentos tão convidativos para a celebração do que melhor se faz no género de terror como a chegada de mais um Halloween. Por ser um género que se enquadra bem no espírito desta época festiva, são já esperadas reflexões sobre entretenimento relacionado com terror ou partilhas de recomendações. Sem surpresas, OBarrete tem-se mantido em cima desta celebração, com um podcast especial de Halloween onde são analisados três filmes de terror de três décadas distintas. Para alargar a comemoração a outras artes, deixa-se a recomendação gaming para este Halloween.

O videojogo em questão é “Until Dawn”, uma narrativa interativa apoiada em elementos de terror e suspense. O jogo foi desenvolvido pela Supermassive Games (responsável pelo desenvolvimento da versão HD do jogo “Killzone“) e lançado em agosto de 2015 em exclusivo para a PlayStation 4. O jogo é altamente influenciado por outros títulos no género de terror, tanto por filmes (por exemplo, “The Evil Dead“, de 1981) como por outros videojogos (tais como os jogos da saga “Resident Evil” ou outras narrativas interativas como “Heavy Rain“). O resultado, em termos narrativos, pode ser situado no equivalente de videojogo a um filme slasher.

“Until Dawn” baseia-se em características já exploradas em vários filmes de terror para criar um cenário familiar dentro do género

Analisando a narrativa central, esta foca-se sobretudo na aventura atribulada de oito amigos que se juntam numa cabana de férias nas montanhas Blackwood. Esta reunião acontece um ano depois de um acontecimento trágico nesse mesmo local, algo que é revelado logo no prólogo do jogo. Não será revelação nenhuma dizer que o jogo se passa todo ao longo dessa noite em que o grupo se volta a reunir, pois é algo que desde muito cedo o jogo vai aludindo. Da mesma forma, as dicas que vão sendo lançadas acerca de presenças estranhas nas redondezas e dentro da própria cabana não surpreendem um público já treinado por décadas de filmes de terror com temáticas similares.

O grande elemento diferenciador de “Until Dawn” em relação ao cinema de terror são as mecânicas introduzidas que permitem alterar a história de jogador para jogador. São controladas oito personagens ao longo do jogo, algo incomum neste género de jogos e que consegue ao mesmo tempo adicionar variadíssimos pontos de vista à narrativa geral, mas também dar a possibilidade ao jogador de conseguir gerir as relações entre as personagens. Isto porque “Until Dawn” foi um dos jogos da sua categoria que mais conseguiu com sucesso colocar ramificações narrativas assentes em interações entre duas personagens, significando que fatores como o tom de resposta poderão ter efeitos futuros positivos ou negativos entre os dois interlocutores.

Dois dos oito protagonistas: Sam (Hayden Panettiere) e Josh (Rami Malek)

Um conceito explorado intensivamente pelo jogo é o efeito borboleta, onde potenciais pequenas escolhas poderão ter grandes consequências no destino das oito personagens principais. Adicionalmente, em certas áreas exploráveis podem ser encontrados totems (funcionando também como colecionáveis) que permitem à personagem que o descobre ter um vislumbre sobre potenciais desfechos para o seu destino. Os quick time events e algumas decisões rápidas são também presenças assíduas no jogo, com a brilhante inovação relacionada com momentos em que o jogador deve manter o comando o mais imóvel possível para não ser detetado.

Ainda que o foco esteja na tentativa do grupo de sobreviver à noite a que o jogo vai medindo a passagem através de capítulos (um para cada hora restante até ao nascer do sol), jogadores persistentes e exploradores serão recompensados com a descoberta de pistas sobre uma história secundária que se revela gradualmente mais relevante no decorrer da noite.

Outra característica curiosa do jogo são os seus mecanismos de defesa em relação a potenciais estilos de jogo que não vão de encontro ao objetivo do mesmo, e que usam um sistema de gravação automática que não permite voltar atrás nem carregar jogos gravados. A mensagem a ser entregue dificilmente podia ser mais clara, a de que o jogador deve viver com as consequências das suas escolhas, uma característica chave num jogo onde todos os oito amigos podem viver ou morrer e com qualquer combinação de desfechos. Fica a sugestão de Halloween para mais uma assustadora obra de arte.

Happy Halloween!

Luís Ferreira

Rating: 3 out of 4.

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