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O escritor brasileiro Fernando Sabino (1923-2004), proveniente de Minas Gerais, era um notável homem e cronista e participou em diversos jornais com as suas observações acerca do quotidiano. À época de escola, seria difícil passar incólume por um dos seus textos que eram oferecidos como tarefa para as devidas interpretações. Se dele já havia lido “O Grande Mentecapto” e “O Encontro Marcado“, chegou a vez de analisar e o farei aqui, “O Homem Nu”.

Os dois primeiros são romances: no primeiro, Geraldo Viramundo é o protagonista quixotesco que percorre o interior de Minas, em cidades tais Congonhas, Ouro Preto e Barbacena fazendo as suas diabruras e, no segundo, o mais aclamado do público e da crítica, faz-nos passear por pontos turísticos de Belo Horizonte (a capital mineira) até a tentativa de vida no Rio de Janeiro, trabalhando para um jornal. A autobiografia aqui faz-se presente.

Mas em “O Homem Nu” (Editora do autor, 3.ª edição, 1961, 231 páginas) a seleção de crónicas diverte-nos e trata-se de uma leitura rápida. Um detalhe interessante: os exemplares desta edição vieram numerados e o que me coube foi o 10.476. Como foi um livro ganho como presente, “e em cavalo dado não se olham os dentes”, não me importei com o facto de o exemplar estar bem desgastado e inclusive as traças terem se aventurado pelas suas últimas páginas. Assim sendo, antes do fim, degustei os escritos.

O escritor, jornalista e editor brasileiro Fernando Sabino, vencedor do Prémio Literário Machado de Assis em 1999

Um outro detalhe comportamental chamou-me bastante a atenção: na década de 1960 ainda era permitido um certo linguajar para se referir aos pretos do país. Não que o cronista fosse racista, mas algumas discrições, penso, não seriam toleradas nos dias de hoje. Ainda bem que evoluímos nisso. À média de 50 páginas diárias, com letra agradável e diagramação leve, vencer a leitura foi tranquilo. Indicado a alunos do ensino fundamental.

Ao final, um índice oportuno faz-nos relembrar aquilo que lemos e listando, destaco as melhores crónicas: “O ballet do leiteiro“; “O tapete persa“; “Condóminos“; “Dinamite“; “Correria na estação de Nápoles“; “O homem nu“; “Tratamento em Porto Alegre“; “Cedo para jantar“; “Espinha de peixe“; “Macacos me mordam“; “Homicídio ou suicídio?“; “O gordo e o magro” e “Pai e filho“.

Para os leitores portugueses, caso não encontrem edições no seu país, recomendo a Internet para pescarem algumas crónicas deste autor que ajudou a formar leitores no Brasil. E isso não é pouca coisa.

Marcelo Pereira Rodrigues

Rating: 2 out of 4.

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