Este livro é uma trajetória: nascer, viver, renascer… Claridade e escuridão. Trabalho requintado sobre a emoção humana, carícia espontânea, pauta musical… o autor sabe do que fala, por que fala, para quem fala e quando fala.
Penetrar a densidade dos sentimentos contidos em cada sílaba das palavras grafadas nestas páginas é um ato que não assegura a ninguém o desejo da não emissão de fonemas: são poemas e prosa poética destinados à voz alta, clara, cristalina; ora com o coração voando sereno, ora com ele acelerado na iminência de queda. José Eustáquio domina a maestria de se expor e, simultaneamente, expor o interior do que resta de humanidade em todos nós num mundo cada vez mais dilacerado, em dúvida eterna…
Não por acaso inaugura a obra com as dubiedades do verbo ser: “Sou a espuma do mar que se desmancha na areia; Sou um crente, embora talvez não creia; Sou um sonho que não se torna realidade; Sou quase todas as tristezas e alegrias de uma cidade“, confessa o autor num jogo semântico que enquadra o leitor num labirinto de dúvidas, colocando-o à caça de si mesmo, às cegas, … sendo e não sendo. Mas, ousando estar.
Nestas páginas, rimas, aliterações, assonâncias e outros recursos literários transbordam às mãos de quem entra por inteiro no livro. E, desde então, pode-se lavar o rosto com o clarão dos sonhos do autor; ou lavar as mãos como quem quer se livrar de uma emoção incómoda porque impulsiona o pensar, o refletir.
“Brinquei falando sério” é paradoxo que já deveria ter vindo à tona para iluminar os olhos e o interior dos leitores. A cada página, um encontro diferente, uma epifania para tragar e prender… para só depois de um pequeno lapso – com forma de um muito longe – soltar. Inspirar, respirar… aqui habitam a solidão do amor, as ternuras de mãos dadas, as injustiças do mundo, as desigualdades. Denúncia social: “(…) Vou tentar amar o irmão subjugado, posto de lado e privado do básico. Vou tentar proteger os menores, vítimas da insensibilidade dos maiores (…)”.
O autor já possui um público expressivo que o acompanha nas redes sociais e publicações de jornais. E, a cada publicação, cria nos seus leitores uma expectativa, um querer mais desse infinito de possibilidades poéticas que nos levam ao céu ou ao inferno do nosso eu, nos induz à grande vontade de dissecar a anatomia da jornada humana na Terra… e tentar uma saída.
É obra para quem está sempre a procurar uma saída; seja de um sentimento prazeroso, seja de um sentimento não tão assim… É um através, um meio pelo qual que José Eustáquio oferece ao mundo com leveza, ciente da potência de toneladas emocionais nas linhas, entrelinhas, margens e espaçamentos.
Que continue esse poeta o seu percurso na arte literária, pois sempre traz um algo a mais ao falar, desabafar… para o prazer e a reflexão de quem sabe escutar… com os olhos, com a boca, com o nariz, com a pele… com o corpo inteiro!
Paulo Antunes
Paulo Antunes é escritor, ator, professor universitário e Mestrado em Letras (Linguagem, Cultura e Discurso)

Falar desse amigo de longa data, José Eustáquio Antunes, para mim é prazeroso, sendo ele um gentleman. O seu primeiro livro autoral “Brinquei falando sério” é uma coletânea de poemas, crónicas, reminiscências, reflexões, que expressa os seus puros sentimentos, realistas, alguns bem hilários, outros reflexivos, a começar pelo título do livro, emblemático.
Cada crónica traduz quem é esse cidadão, brincalhão, simples, pai, avô, marido devotado à família e amigos. Semeia a paz nesta obra, a sua humildade transcende e são exemplos para todos que convivem ou conviveram com ele, inclusive os seus falecidos pais.
José Eustáquio Antunes, aposentado pela Justiça do Trabalho, gosta de degustar uma cerveja e uma boa prosa, saudosista, apreciador de carros antigos, cinema da melhor qualidade e de uma boa música, onde tem uma página online, onde nos deleitamos com o que há de melhor. Deixa aflorar as mais diversas temáticas literárias e aborda, especialmente, em alguns versos, pensamentos, a natureza, a fé e o amor à sua cidade, família e amigos.
Há muita simplicidade na comunicação, pois todos são versos transparentes, impregnados da pureza de sentimentos, emoções e a realidade é descrita com imaginação e até às vezes um subtil sarcasmo do nosso quotidiano. A sua perseverança nas reminiscências, mais sensíveis são as comparações e metáforas do nosso dia-a-dia. Tem o dom de transmitir nos seus versos simples e poéticos os mais nobres sentimentos, concluindo que na peleja diária, vale a pena sonhar sempre…
Cleonice Libânio
Cleonice Libânio é Antologista e Membro da Academia de Artes, Letras de Congonhas (ACLAC)
Se está interessado/a em adquirir um exemplar desta obra, envie email para nosmpr@hotmail.com, ou contacte o nosso colaborador e escritor, Marcelo Pereira Rodrigues.

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