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Porque A Arte Somos Nós

Os Coldplay são uma banda muito boa, no sentido em põe os pais a ouvir, e deixamos que eles pensem que és um “bom menino” que não gosta daquele punk rock barulhento… De qualquer forma, “X&Y”, quer os Coldplay queiram ou não, fez da banda um género musical próprio. Os grupos que se seguiram ao lançamento deste álbum, como por exemplo, os Keane, são uma espécie de bandas Coldplayish.

Três anos após o sucesso de “A Rush Of Blood To The Head” (2002), “X&Y” foi lançado com críticas medíocres dos ditos “especialistas” em música, como na revista Rolling Stone ou no The New York Post. De certa forma, isto afectou a banda. Mas curiosamente, no momento em que estas entrevistas foram gravadas, os membros dos Coldplay estavam em ambiente de festa, a celebrar o êxito das vendas do seu novo trabalho.

O álbum “A Rush Of Blood To The Head” estabeleceu padrões muito altos para uma pequena banda de rock britânica que originalmente recebeu o infeliz título “Starfish”. Um dos destaques deste álbum foi a música Clocks. Então o que foi a banda fazer? Lançar de novo a música no novo álbum, mas… sobre a forma de Speed Of Sound. Esta é o primeiro single de “X&Y”, e uma vitória graças ao sucesso de Clocks.

Mas, desconsiderando isso, é uma boa música. É uma faixa mais animada do que a maioria das músicas dos Coldplay, completa com um bom trabalho de baixo e com um belo coro onde se destaca o suave falsete de Chris. De qualquer forma, Speed Of Sound é um sucesso feito sob medida, e é incrível quando se desconsidera que se trata de Clocks, apenas escrita novamente. O outro single de “X&Y” verdadeiramente bonito é Fix You. No hábito de pérolas anteriores dos Coldplay como Amesterdam, Fix You é uma faixa sobre coragem. Como The Scientist, é a grande balada do álbum, e espera-se que seja a música número quatro.

No vídeoclip da música não se percebe o porquê do vocalista estar a andar sozinho sem direcção, acabando num concerto para finalizar a música. Ao analisarmos, concluímos que Fix You é realmente uma música muito boa. A sua passagem é muito poderosa, onde toda a banda canta em perfeita harmonia com algumas guitarras de Johnny Buckland. No vídeo, o público imprime outra dimensão à canção, enquanto que na versão do álbum esta termina com uma nota muito gentil, soando algo estranho, tendo em conta a energia da sua passagem.

O melhor trabalho é feito em outro lugar. Realmente, este é tão bom, que ninguém sabia que iria conseguir encontrar a melhor música de “X&Y”. Essa faixa, oculta, é ‘Til Kingdom Come – uma despedida dos Coldplay a Johnny Cash, o ídolo da banda. A música foi escrita antes que o norte-americano morresse, na expectativa de ele a poder cantar, mas quando este faleceu, a já havia uma versão gravada pelo grupo – que acabou por ser editada neste trabalho. O resultado é uma peça acústica absolutamente maravilhosa, sem bateria ou baixo, apenas Chris e a sua guitarra. Os interlúdios são verdadeiramente emocionantes.

Ao vivo no Live 8, em 2005
Coldplay

Infelizmente, um ar de semelhança atormenta o resto do álbum. Existem duas músicas diferentes nesta categoria. Uma é uma balada lenta, com algum rock espacial por trás, ou uma música uptempo de rock mais difícil. As músicas uptempo começam com o alto e bastante “espacial” Square One. Esta tem alguns vocais maravilhosamente elevados e giratórios. A voz de Chris predomina aqui com um enorme a paixão, fazendo desta uma boa música. Mas, imitações como White Shadows e Talk, apenas tentam criar o mesmo poder que Square One. Portanto, em vez de classificar cada faixa individualmente, é muito mais fácil classificar as músicas como um todo.

Os Coldplay são uma banda rock, e a voz de Chris Martin oferece uma energia única. Com isso, a banda acaba por criar canções que basicamente servem para passar à frente. O outro tipo de música presente em “X&Y” é a balada espacial com energia. Músicas como What If, X&Y e A Message têm algumas das piores letras de todos os tempos, mas com emoção, tornando estas faixas interessantes. Mesmo sendo diferente, a inclinação desta álbum é inevitavelmente idêntica à de “A Rush Of Blood To The Head”. Os ouvintes pacientes são recompensados com as duas últimas faixas do álbum, Swallowed In The Sea e Twisted Logic.

A primeira é charmosa e conta com Chris a cantar umas letras simples sobre uma melodia fluente. O seu poder acumula-se ao longo da música. Vale a pena a audição, mesmo que nos tenhamos esforçado para ouvir o álbum. Já Twisted Logic é como uma mistura dos dois tipos de músicas “X&Y” que mencionei mais atrás. Começa com Chris a cantar suavemente a letra, mas com efeitos sonoros sobre a sua voz. De seguida entra uma guitarra, um bocado ao estilo dos Radiohead, que oferece à música uma sensação sombria. Não é propriamente material criado pelo Bob Dylan ou pelo Bono, mas serve perfeitamente os seus propósitos com Chris Martin a cantá-los.

“X&Y” é um álbum onde se correm muitos poucos riscos. No geral é interessante, com algumas músicas “bonitas” e agradáveis. O trabalho de guitarra de Johnny Buckland nesta obra é, de longe, o de maior qualidade comparativamente a qualquer outro álbum dos Coldplay. Como sempre, é tudo sobre o Sr. Martin, pois sem a voz dele, os Coldplay não teriam redefinido o estilo soft-rock. Este é um álbum multi-platina, no entanto, parece que poderia ter sido muito mais.

Carlos Pereira

Rating: 3 out of 4.

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