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Poema: “Para casa”

The Soul of the Soulless City ('New York - an Abstraction') 1920 Christopher Richard Wynne Nevinson 1889-1946 Presented by the Patrons of British Art through the Tate Gallery Foundation 1998 http://www.tate.org.uk/art/work/T07448

Não sei o que fez o Universo suspirar,

Mas levantou vendavais com a sua desilusão,

Fez dos nossos erros tempestade.

E mandou-nos a todos para casa.

Para casa de castigo,

Para casa para pensar,

Para casa procurar

A nossa razão p’ra aqui estar.

Para casa isolar,

Para casa sonhar,

Para casa reconciliar.

Para casa conhecer a nossa casa.

Para casa só estar,

Para casa antecipar.

Para casa ganhar tempo

No nosso amor tóxico com o planeta.

Para casa perceber,

Que somos mais fortes quando abraçamos.

Agora só o fazemos quando fechamos os olhos.

Mas quem sabe já não andávamos às cegas pelas ruas?

Castigados por sermos humanos,

Confortáveis lá longe da perfeição,

Num lugar alto onde julgamos saber tudo,

Até ouvirmos o universo suspirar.

Mente Sedada

Pintura de Christopher Nevinson, “The Soul of the Soulless City (1920)

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