OBarrete

Porque A Arte Somos Nós

A Obra

Este é a continuação do capítulo “O Homem

Como já referi na primeira parte deste trabalho, Prince editou 39 álbuns de originais, tendo as suas editoras feito pelo meio alguns “Greatest Hits”, “B-Sides” e compilações de inéditos que ainda não tinham visto a luz do dia. Ao longo deste percurso, o artista trabalhou com várias editoras, tendo estado em conflito com estas por várias ocasiões. Iniciou o seu percurso com a Warner Bros. e esta ligação perdurou até 1996, em seguida editou em nome da sua própria editora, a NPG Records, com distribuição feita pela EMI (o que viria a acontecer por várias vezes em outras ocasiões). Em 1999, assina com a Arista Records e em 2004 edita apenas um álbum com a Columbia Records.

No final de 2005 assina com a Universal Music para a gravação de um álbum e mais tarde retorna à Warner Bros.. Como artista atualizado e próximo do seu público, criou plataformas digitais para divulgação do seu trabalho, tendo por várias ocasiões recorrido à barra dos tribunais para processar quem não respeitava os seus direitos de autor e imagem. Ainda assim, numa fase mais avançada da sua carreira, acedeu ao lançamento dos seus trabalhos em plataformas certificadas como o Tidal.

Apesar de ser um génio multi instrumentista, Prince necessitou de criar bandas de apoio para as suas digressões, uma vez que os trabalhos em estúdio estavam essencialmente por sua conta (onde, por várias ocasiões, Prince utilizava pseudónimos para creditar músicos que colaboravam nas gravações, que não eram mais que ele próprio), embora mais tarde tivesse recorrido a uma grande variedade de músicos para o acompanhar nas gravações.

Ainda numa fase inicial criou uma banda a que deu o nome de “The Time”. Mais tarde reuniu um conjunto de músicos da sua confiança e batizou a banda como “The Revolution”, que trabalhavam com Prince essencialmente ao vivo, mas com o decorrer do tempo viriam a gravar também em estúdio, fazendo parte dos créditos de capa.

Por volta de 1987, Prince dissolve os “The Revolution” e após alguns tempos de criação a solo e trabalho com uma banda de apoio que contava com alguns membros da formação dissolvida, em 1990 o músico apresenta-se com os “New Power Generation” (NPG), onde passa a dispor de uma secção de metais e maior apoio vocal, principalmente na figura de Rosie Gaines.

Também estes viriam a ser creditados em capa de vários trabalhos de Prince. Em 1993, Prince assina os seus trabalhos como “The Artist” em guerra aberta com a Warner Bros. pelo facto de esta não editar o enorme caudal criativo do artista a um ritmo constante (é por esta altura que surge o icónico Love Symbol). Os NPG viriam a acompanhar Prince até 2013 (de forma intermitente), altura em que este passa a ser acompanhado por uma banda de apoio denominada 3rdeyegirl (!).

  • “For You” (7 de Abril de 1978), Warner Bros.

Este foi a primeira obra de Prince, e como já foi referido na primeira parte deste artigo, todos os instrumentos e voz lhe são creditados. Este trabalho começou por ser produzido nos estúdios “Sound 80” em Minneapolis, mas acabaria a sua produção nos “Sound Labs”, em Hollywood, pois ofereciam uma maior capacidade técnica para a sua finalização. Neste álbum de apresentação, Prince mostra a sua sonoridade base, com muito R&B, pop e funk, revelando muita pureza de ritmos. Os temas que se destacam são, Soft and Wet e Just as Long as We’re Together, com um desempenho interessante para um álbum de estreia.

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  • “Prince” (19 de Outubro de 1979), Warner Bros.

À semelhança do seu primeiro álbum, Prince escreveu, compôs, produziu e fez os arranjos deste trabalho, sendo novamente o único instrumentista de serviço. Os ritmos foram muito semelhantes a “For You”, no entanto optou por se direccionar para um maior cuidado em termos de imagem e harmonia. Os temas fortes deste álbum são, I Wanna be Your Lover, Why You Wanna Treat Me So Bad? e Sexy Dancer, que constaram em simultâneo na lista de R&B Dance Hits. Este trabalho foi muito bem aceite pela crítica e vendeu uns interessantes três milhões de cópias.

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  • “Dirty Mind” (8 de Outubro de 1980), Warner Bros.

Este terceiro álbum de Prince foi considerado por muitos como a grande explosão de criatividade do artista. Tendo novamente composto e produzido a totalidade dos temas nos seus estúdios em Minneapolis, Prince dá aso à sua faceta andrógina e compõe temas sexualmente explícitos com alusão a temas variados como o sexo oral, o sexo em trio ou a ejeculação. Tendo optado por uma sonoridade um pouco diferente, explorando o punk-funk ou a new wave, não abandonando de qualquer das formas o R&B, os críticos consideraram claramente um álbum “Urban Black Music”. Os temas em destaque, que ocuparam bons lugares nas tabelas Billboard, foram Uptown, Dirty Mind e Do it All Night.

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  • “Controversy” (14 de Outubro de 1981), Warner Bros.

Este álbum foi bem aceite pela crítica e revela novamente temas de cariz sexual, no entanto, Prince inicia a sua abordagem também a temas de conotação política, escrevendo um tema crítico a Ronald Reagen, presidente à época, ou abordando questões racistas e até a morte de John Lennon. Temas em destaque: Controversy, Sexuality, Let’s Work e Do Me, Baby. Este álbum atingiu o numero três do US Billboard Top R&B Albums.

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  • “1999” (27 de Outubro de 1982), Warner Bros.

Álbum duplo amplamente conhecido do grande público que marca o inicio do trabalho de Prince com os Revolution e revela em larga escala o seu Minneapolis Sound. Este é um trabalho em que o artista faz o seu protesto contra a proliferação nuclear com o tema 1999, e faz uso de sintetizadores e drum machines praticamente em todos os temas. Este é, definitivamente, o trabalho que catapulta Prince para o conhecimento à escala global.

Nele está contido um dos mais icónicos temas de Prince, Little Red Corvette, além do tema que dá nome ao álbum, claro. Esquecendo estes temas por momentos, destacam-se Delirious, D.M.S.R. (Dance, Music, Sex, Romance) e Automatic. Este álbum alcançou boas classificações nos top’s, principalmente nos Estados Unidos onde chegou ao número 4 dos álbuns da Billboard. Já foram editadas versões remasterizada, deluxe e super deluxe deste álbum.

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  • “Purple Rain” (25 de Junho de 1984), Warner Bros.

Este será porventura o álbum de referência para muitos amantes de Prince. Serviu de banda sonora na primeira aventura deste no cinema, e dele ficaram imortalizados alguns temas do artista. Desde logo o tema que dá nome ao álbum, Purple Rain, que é como que um hino ao cantor e à sua obra. Não é por acaso que quando este faleceu, o tema que o homenageou e fez fez correr tantas lágrimas foi esta “Chuva Purpura”.

Para além deste, ficaram para a história Let’s Go Crazy, When Doves Cry, I Would Die 4 You ou Take Me With U. Com o tempo todos viria-mos a compreender a importância deste trabalho, pois marcou em definitivo toda a sua carreira. Este álbum atingiu o numero um em diversos top’s mundiais e, mesmo nas suas reedições, voltou a subir ao lugar mais alto dos pódios. Para além dos Grammy’s que ganhou, recebeu também o Óscar da Academia para Melhor Banda Sonora Original. Foram editadas versões deluxe e deluxe expanded deste álbum.

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  • “Around the World in a Day” (22 de Abril de 1985), Paisley Park Records & Warner Bros. Records

Após o mega sucesso de “Purple Rain”, Prince decide compor um trabalho mais psicadélico, experimentando novos sons e texturas. Embora a crítica afirmasse que este trabalho era claramente inspirado nos Beatles, Prince viria a negar que tal fosse verdade, pois era apenas uma variação à linha que o caracterizava. Deste álbum resultam alguns temas interessantes como Raspberry Beret e também Paisley Park, Pop Life e America, que demonstram bem a elasticidade criativa do músico. Foi relativamente bem aceite pela crítica e atingiu alguns lugares interessantes nos top’s.

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  • “Parade” (31 de Março de 1986), Paisley Park Records & Warner Bros. Records

Este foi o quarto e último trabalho editado por Prince com os Revolution e viria a ser sem sombra de duvida um marco na carreira do artista. Deste álbum surgiria o tema mais icónico da carreira de Prince, Kiss. Podemos afirmar que, com quase toda a certeza, não há ninguém no mundo que não identifique estes acordes.

Em termos de concepção, Prince produz esta obra muito na linha da anterior, continuando a explorar um som psicadélico, embora não esqueça o R&B e o funk na sua fusão. Para além do eterno Kiss, destacam-se também Mountains, Anotherloverholenyohead e Girls & Boys. O álbum foi relativamente bem aceite pela crítica e obteve algum destaque nos top’s e foi um sucesso nas vendas.

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  • “Sign O’ the Times” (30 de Março de 1987), Paisley Park Records & Warner Bros. Records

Trata-se de um trabalho marcante nesta fase da carreira de Prince por vários motivos. Desde logo porque representa uma fase de imensa produtividade do artista, tratando-se “apenas” de um duplo, pois por vontade de Prince seria algo mais. Para além disso, utiliza uma imensa paleta de sons e ritmos ao longo do álbum que vão novamente do psychedelic pop ao soul e ao funk, que vão de temas minimalistas a temas bastante trabalhados.

Neste trabalho, Prince dá aso ao seu alter ego “Camille”, creditando vocais nesta denominação. Mais uma vez tem sucesso nos top’s e nas vendas, tendo como destaque os temas Sign O’ the Times, If I Was Your Girlfriend ou U Got The Look (com Sheena Easton).

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  • “Lovesexy” (10 de Maio de 1988), Paisley Park Records & Warner Bros. Records

Apesar de ter sido o seu trabalho menos bem sucedido desde 1981, este álbum seria, também ele, marcante na carreira de Prince, pois dele surgiriam temas marcantes. Produzido em apenas sete semanas, desde logo a capa de apresentação seria polémica por exibir a nudez do artista com uma foto de autoria de Jean Baptiste Mondino, o que levaria a que o álbum viesse a ser rotulado como “The Black Album”, pois muitos pontos de venda optaram por colocar o álbum dentro de uma enigmática capa negra.

É um trabalho carregado de positivismo e espiritualidade. Os destaques são Alphabet St., Glam Slam, I Wish U Heaven e Positivity. (Este álbum marca também a estreia dos novos estúdios de gravação de Prince em Paisley Park)

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  • “Batman” (20 de Junho de 1989), Warner Bros.

Álbum concebido como banda sonora para o filme do mesmo nome realizado por Tim Burton, constituiu um estrondoso sucesso. Foi extremamente bem recebido pela critica e ocupou os primeiros lugares de vários top’s por esse mundo fora. Prince concebeu um trabalho extremamente bem enquadrado com a película e produziu um conjunto de vídeoclips fantásticos (para alguns críticos, melhores que os próprios filmes!). Os temas em destaque são, Batdance, Partyman, The Arms of Orion e Scandalous. Só nos Estados Unidos, foi dupla platina…

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  • “Graffiti Bridge” (21 de Agosto de 1990), Paisley Park Records & Warner Bros. Records

Novamente um álbum que serviu como banda sonora de um filme, também ele com o nome do álbum, “Graffiti Bridge”. Este foi mais bem aceite pela crítica do que a película, que não obteve grande sucesso nas salas de cinema.

Este trabalho marca um momento muito importante na carreira do artista, pois foi o primeiro a ser gravado com os “New Power Generation” (NPG), e ele não deixou de referenciar tal facto nos temas que compôs ao incluir New Power Generation e New Power Generation (Pt.II) para assinalar o momento em que os músicos o passaram a acompanhar. Os temas em destaque são, Thieves in the Temple, Round and Round e New Power Generation. Foi bem aceite pela critica.

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  • “Diamonds And Pearls” (1 de Outubro de 1991), Paisley Park Records & Warner Bros. Records

E ao 13.º, Prince criou esta pérola… ou diamante se preferirem! Este foi um dos álbuns do artista que mais sucessos produziu, atingindo inúmeros top’s e imensos discos de platina. A versatilidade de Prince continua presente na criação e esta estende-se desde temas marcadamente pop-rock a faixas marcadamente funk, tão ao seu gosto. Deste álbum emergiram, Gett Off, Cream, Diamonds And Pearls, Insatiable, Money Don’t Matter 2 Night e Thunder.

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  • “Love Symbol” (13 de Outubro de 1992), Paisley Park Records & Warner Bros. Records

Este trabalho de Prince marca o início do seu protesto relativamente à editora da qual se chegou a considerar escravo por esta não estar disponível para editar o vasto reportório em carteira do artista, e não abrir mão dos direitos de autor e de imagem de Prince. Tal ficou assinalado através da utilização do que foi considerado o “símbolo impronunciável”, ou como viria a ser batizado, “Love Symbol”. Concebido originalmente como uma ópera rock, contêm ao longo dos temas as inspirações clássicas do artista, R&B, soul, funk, pop e rock.

Os temas em destaque são, Sexy MF, My Name is Prince, 7, Damm U e The Morning Papers. Foi bem aceite pela critica e alcançou destaque nos top’s britânico e americano. (Foram feitas algumas edições especiais deste trabalho)

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  • “Come” (16 de Agosto de 1994), Warner Bros.

Este seria o último trabalho a ser editado na colaboração com a Warner com o nome de Prince, pois a partir daqui apenas iria constar o “Love Symbol” que como dizia o artista, identificava “o artista formalmente conhecido por Prince”. Este encontrava-se em guerra aberta com a editora e não foi fácil chegar a um consenso relativamente ao material a editar no álbum. Mais parte deste material tinha sido trabalhado no ano anterior e Prince desejava editar dois álbuns em simultâneo, mas a editora não cedeu, pois receava que o mercado ficasse “intoxicado” com o artista! Os temas em destaque são, Come, Letitgo e Space. Foi um álbum relativamente bem sucedido.

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  • “The Black Album” Limited Edition (22 de Novembro de 1994), Warner Bros.

Na verdade, a data de lançamento deste álbum seria o dia 8 de Dezembro de 1987, a seguir à edição de “Sign O’ the Times”, no entanto a Warner optou por retirar o trabalho na altura, cedendo à sua edição em 1994 de forma limitada. Considerado como uma Bíblia Funk, este trabalho revela uma necessidade do artista de fugir à linha pop, procurando simultaneamente uma audiência mais “negra”, ao mesmo tempo que invoca o seu alter ego à época, Camille, como guia de inspiração.

Após uma epifania espiritual, Prince abandona o projeto considerando que este está dominado pelo diabo e procura retirar o máximo de exemplares do mercado. Neste álbum surge novamente When 2 R in Love, já editado no álbum “Lovesexy”.

  • “The Gold Experience” (26 de Setembro de 1995), NPG Records & Warner Bros.

Após o fecho dos seus estúdios “Paisley Park Records”, forçado pela Warner em 1994, Prince produz e edita este trabalho a partir dos seus novos estúdios “NPG Records”. O artista segue neste álbum a sua linha funk rock a que já nos tinha habituado e obtêm um relativo êxito nos top’s do Reino Unido e dos Estados Unidos. Os temas em destaque são, The Most Beautiful Girl in the World, I Hate U e Gold.

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  • “Girl 6” (19 de Março de 1996), Warner Bros.

Banda sonora do filme com o mesmo nome, “Girl 6“, realizado por Spike Lee. Foi um trabalho que não acrescentou grande coisa à carreira de Prince e o tema de maior destaque é Pink Cashmere.

  • “Chaos and Disorder” (9 de Julho de 1996), Warner Bros.

Este trabalho surge apenas para cumprimento de questões contratuais com a editora, recusando Prince fazer a sua promoção. Veio a ser reeditado mais tarde e também foi disponibilizado recentemente nas plataformas digitais Tidal e iTunes. Deste apenas se destaca o tema Dinner with Delores que foi editado em formato single apenas no Reino Unido. Não obteve qualquer relevância nos top’s e vendas.

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  • “Emancipation” (19 de Novembro de 1996), NPG Records & EMI

Neste que foi um dos mais produtivos anos de Prince, este foi efetivamente o álbum (triplo) da emancipação após 18 anos de ligação à Warner Bros. Records. Para além disso, foi também o ano em que o artista se casou com Mayte Garcia no dia de S. Valentim. É um trabalho inovador por dois motivos: o primeiro foi o facto de Prince se aventurar em novos ritmos que incluíram house e blues, o segundo motivo foi o facto de pela primeira vez o artista fazer covers de outros músicos. Os temas em destaque são, Betcha by Golly Wow!, The Holy River e Face Down. Obteve uma relativa boa aceitação pela crítica tendo atingido a dupla platina nos Estados Unidos.

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  • “Crystal Ball” (29 de Janeiro de1998), NPG Records

Trata-se efetivamente de uma caixa contendo um álbum triplo, o vigésimo de estúdio, ao qual foi adicionado mais dois trabalhos, sendo que o primeiro dos adicionais é efetivamente o vigésimo primeiro trabalho do artista. Mas vamos por partes, este triplo é composto por bootlegs que o autor foi acumulando ao longo do tempo e que decidiu editar neste formato triplo.

O quarto álbum foi batizado de “The Truth” e é composto por 12 temas acústicos. E, finalmente, o quinto álbum batizado de “Kamasutra”, é composto por temas instrumentais gravados em estúdio pela “The NPG Orchestra”. Esta caixa apenas esteve disponível através de encomenda feita por via telefónica ou pela Internet. Em 2018 foi disponibilizado em versão quase completa nas várias plataformas de streaming do mercado.

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  • “The Vault: Old Friends 4 Sale” (24 de Agosto de 1999), Warner Bros.

Este foi um trabalho que foi editado por razões contratuais de Prince com a Warner. De facto, este álbum já estava gravado (desde 1985 até 1994) e mesmo a parte gráfica já estava feita, no entanto não tinha sido editado por questões meramente comerciais. Não foi feita praticamente nenhuma promoção ao álbum, nem nos Estados Unidos nem no Reino Unido. Passou despercebido e a critica não valorizou, não tendo tido qualquer presença de notar nos top’s.

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  • “Rave Un2 the Joy Fantastic” (9 de Novembro de 1999), NPG Records & Arista

Álbum de estreia com a editora Arista lançado pouco depois do obrigatório “The Vault”. Ainda com a denominação de “The Symbol”, este trabalho trás um refrescamento conceptual na obra de Prince embora mantenha uma linha R&B, soul e bastante pop, o que deixou perplexos os críticos! Uma inovação foi o facto do artista apresentar alguns duetos, nomeadamente com Gwen Stefani, Eve e Sheryl Crow. O álbum foi relativamente bem aceite pela crítica e não atingiu números muito expressivos de vendas. O tema em destaque é The Greatest Romance Ever Sold.

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  • “The Rainbow Children” (20 de Novembro de 2001), NPG Records & Red Line Entertainment

Este é um trabalho conceptual em que Prince aborda temas como a sexualidade humana, o racismo, a espiritualidade ou os movimentos sociais. Curiosamente, tudo isto acontece numa altura em que o artista se converte às Testemunhas de Jeová. O álbum foi muito pouco divulgado por vontade expressa do próprio Prince. Em termos musicais, este é um trabalho mais orgânico, voltando de certa forma às origens. Parte dos temas incluídos no álbum foram gravados ao vivo na tournée “One Nite Alone… Tour”. Os temas em destaque são, The Work Pt.1, She Loves Me 4 Me e Last December.

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  • “One Nite Alone” (14 de Maio de 2002), NPG Records

Este trabalho contêm temas em que Prince canta acompanhado pelo piano apenas (salvo uma ou outra variação pontual). Nunca foi comercializado e apenas circulam algumas bootlegs nos circuitos musicais. Em 2015 foi disponibilizado na plataforma Tidal.

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  • “Xpectation” (1 de Janeiro de 2003), NPG Records

Álbum completamente instrumental em que o titulo de todos os temas começa por “X”. Neste trabalho, Prince dá aso a sons de jazz de fusão instrumentalizado. Foi disponibilizado para os membros do NPG Club no dia de Ano Novo de 2003. Já foi disponibilizado na plataforma Tidal.

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  • “N·E·W·S” (26 de Maio de 2003), NPG Studios

Novo trabalho instrumental de Prince, encarado como a reencarnação da banda criada por ele próprio em 1987, “Madhouse”, com Eric Leeds em destaque. Gravado em apenas um dia nos estúdios de Paisley Park, é constituído por apenas quatro temas (cada um deles representando os pólos cardeais) com duração de 14 minutos cada e foi gravado de improviso. De início, o álbum esteve apenas disponível no website para os membros do NPG Music Club, tendo sido posteriormente disponibilizado ao grande público. Foi um fracasso em termos de vendas, no entanto, ainda foi nomeado para o Grammy de Melhor Álbum pop instrumental.

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  • “The Chocolate Invasion” (29 de Março de 2004), NPG Records

Trabalho criado e apenas acessível no website dos membros do NPG Music Club. Foi mais tarde disponibilizado na plataforma streaming Tidal, mais precisamente em 2015.

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  • “The Slaughterhouse” (29 de Março de 2004), NPG Records

Trabalho criado e apenas acessível no website dos membros do NPG Music Club. Foi mais tarde disponibilizado na plataforma streaming Tidal, mais precisamente em 2015.

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  • “Musicology” (20 de Abril de 2004), NPG Records & Columbia Records

Com este trabalho, Prince regressa em grande aos êxitos musicais e de vendas. Este é produzido por Prince e resulta de um acordo com a editora Columbia para a gravação de apenas um álbum. Fiel à sua linha funk e trabalhando com mestria o seu psychedelic pop, o artista trás-nos os sons a que nos habituou, tendo em Musicology, Call my name e Cinnamon Girl os temas em destaque. Foi um sucesso de vendas e Prince ganhou um Grammy para a Melhor Performance Vocal de R&B tradicional, tendo também sido muito bem recebido pela crítica. Obteve dupla platina nos Estados Unidos.

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  • “3121” (21 de Março de 2006), NPG Records & Universal

Este trabalho de Prince foi o primeiro da sua carreira a entrar diretamente para o número um da Billboard 200, com vendas superiores a 180.000 unidades em apenas uma semana, e foi também o único álbum que conseguiu chegar ao topo desde “Batman”, no já distante ano de 1989! O título do álbum refere-se explicitamente ao número da porta de um apartamento que o artista alugou em Los Angeles.

Este trabalho é claramente inspirado no filme de 1964 “Charlie and the Chocolate Factory“, e Prince incluiu alguns “Purple Tickets” nas embalagens do disco em que os premiados foram contemplados com uma atuação semi-privada na casa de Prince em LA. Os temas em destaque são, Te Amo Corazón, Beautiful, Loved and Blessed, Black Sweat e Fury.

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  • “Planet Earth” (15 de Julho de 2007), NPG Studios & Columbia Records

Na edição deste trabalho, Prince opta por, mesmo não sendo novo, oferecer o álbum junto com o jornal “The Mail on Sunday”, o que viria a trazer alguns problemas à editora, levando esta a não editar o álbum no Reino Unido devido à reação das lojas de venda de discos, que não gostaram da ideia. Atendendo a que para além disso estes CD’s incluíam um bilhete de oferta para os concertos que Prince viria a dar na O2 Arena, tudo se transformou numa gigantesca manobra comercial que funcionou em pleno para o artista.

O álbum carateriza-se pelas colaborações de ex-membros dos Revolution e de outros músicos que já haviam colaborado com Prince. É bem aceite pela crítica e atinge classificações interessantes. Os temas em destaque são, Guitar, Chelsea Rodgers, Somewhere Here on Earth e The One U Wanna C.

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  • “Lotusflow3r” (24 Março de 2009), NPG Records

Triplo álbum, que na verdade inclui os trigésimos terceiro e quarto álbuns de Prince. O trigésimo terceiro é intitulado “Lotusflow3r” e o trigésimo quarto é “MPLSound”. O terceiro disco deste triplo não é de Prince mas sim de Bria Valente, protegida do artista que já havia colaborado com vocais em anteriores trabalhos deste, vindo a ser também, mais tarde, sua namorada. O triplo álbum apenas seria editado nos Estados Unidos, e na Europa seria disponibilizado em “Internet Store”. Foi bastante bem aceite pela crítica e viria a atingir uma boa classificação na Billboard 200.

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  • “20Ten” (10 de Julho de 2010), NPG Records

Mais uma vez Prince opta por oferecer este trabalho junto com jornais e revistas no Reino Unido, Irlanda, Bélgica, França e Alemanha, não fazendo qualquer outro tipo de edição, sendo a única forma de obter este trabalho o recurso a downloads ilegais na Internet. Os ritmos mantêm-se na linha de produção do artista, funk, soul, pop e algum rock. O trabalho foi relativamente bem aceite pela crítica não tendo atingido grande destaque. Prince chegou a falar numa reedição remasterizada mas tal nunca veio a suceder.

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  • “Plectrumelectrum” (30 de Setembro de 2014), NPG Records & Warner Bros.

Fruto de um novo acordo com a Warner, este foi o primeiro e único trabalho gravado e produzido por Prince com a banda 3rdeyegirl, que era por essa altura a sua banda de estrada. Conotado como um trabalho essencialmente rock, o artista não deixa de revelar o seu talento funk, e este vem a ser bem recebido pela crítica, atingindo classificações interessantes na Billboard. Os temas em destaque são, Fixurlifeup, Pretzelbodylogic e Whitecaps.

  • “Art Official Age” (30 de Setembro de 2014), NPG Records & Warner Bros.

Este trabalho foi produzido em simultâneo com “Plectrumelectrum” e editado na mesma data. Apesar de ser bem aceite pela crítica e pelo público, não foi fácil classificar este trabalho do artista que revelava já alguma complexidade criativa. Ainda assim, este trabalho anda dentro de um eletro-funk e R&B conceptual que não era norma no artista. Os temas em destaque são, Breakfast Can Wait, Breakdown, Clouds e U Know.

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  • “Hit n Run Phase One” (7 de Setembro de 2015), NPG Records & Universal

Trabalho editado numa primeira fase exclusivamente na plataforma streaming Tidal, sendo posteriormente editado em CD pela NPG. Álbum que dá continuidade às sonoridades do artista, que viria a ter relativamente boas classificações nas tabelas. Os temas em destaque são, Fallinlove2nite, Hardrocklover e This Could B Us.

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  • “Hit n Run Phase Two” (12 de Dezembro de 2015), NPG Records & Universal

Último álbum de estúdio editado em vida por Prince. Classificado como uma continuidade do anterior, também ele foi editado no Tidal numa primeira fase, sendo que a edição em CD já só viria a acontecer após a morte do artista. Também foi bem aceite pela crítica, embora alguns críticos denotassem alguma inconstância na criatividade de alguns temas. Os temas em destaque são, Rocknroll Love Affair, Screwdriver, Xtralobeable, Groovy Potential e Baltimore.

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A título póstumo foram editados:

  • “Piano and a Microphone 1983” (21 de Setembro de 2018), NPG Records & Warner Bros.

Edição de material encontrado no cofre de Prince (The Vault) em suporte de cassete e que reporta a uma gravação feita em 1983 em Chanhassen, com a duração de 35 minutos em que Prince faz uma performance ao piano, com algumas versões alternativas de temas seus. Uma abordagem íntima nunca antes divulgada em suporte gravado.

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  • “Originals” (7 de Junho de 2019), NPG Records & Warner Bros.

Álbum editado no dia de aniversário do artista, apenas na plataforma streaming Tidal (mais tarde em outros suportes), contêm demos de temas de Prince que este deu a outros artistas para gravação. Entre eles estão os tão aclamados Manic Monday, para as The Bangles, e Nothing Compares 2 U para Sinéad O’ Conner. Foi muito bem aceite pela crítica e veio demonstrar, mais uma vez, a versatilidade de Prince como criativo.

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Para além dos trabalhos de estúdio editados por Prince, que acima descrevi, foram também editados ao longo do tempo álbuns ao vivo, “Hits” e “Best Of”. Alguns deles editados em circunstâncias muito particulares, pois as editoras detinham direitos contratuais que lhes permitiam fazer edições mesmo contra a vontade do artista. Ainda assim, podemos classificar estes trabalhos como uma parte natural e inerente a qualquer artista da dimensão de Prince.

Foram também por ele editados dois trabalhos, ambos em 1987, no âmbito do projeto “Madhouse” (banda criada por Prince de cariz jazz-fusion), intitulados “8” e “16”, e mais três álbuns no âmbito do projeto “New Power Generation”, “Goldnigga” em 1993, “Exodus” em 1995 e “Newpower Soul” em 1998.

Jorge Gameiro

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