O BARRETE

Porque A Arte Somos Nós

Depois de tudo o que é possível aprender com Andrew Hill e Thelonious Monk, surge Herbie Hancock para uma nova reformulação. De 1964 a 1973, Herbie teve uma das carreiras mais consistentemente criativas que o jazz já viu. Se Herbie tivesse parado de gravar naquela altura, este continuaria a ser considerado um dos lendários génios da música norte-americana. Com Freddie Hubbard, um mercenário de primeira qualidade, a tocar corneta, Tony Williams na bateria e Ron Carter no baixo, estes são sempre bons companheiros de viagem para a lucubração de Hancock.

O álbum abre com One Finger Snap, um tema relativamente cativante e otimista que entra num reino de improvisações bastante impressionantes. Não é a faixa mais avassaladora, mas ainda está longe de ser medíocre. A segunda canção, Oliloqui Vally, começa com uma linha de contra-baixo incrível, que leva a uma formação de blues com uma corneta arrepiante. Esta música pode dar a impressão de uma pessoa estar numa ilha tropical, banhada pelo sol, ou pode levá-lo a um escuro clube de jazz com intelectuais a falar sobre a essência da alma.

Este trabalho é conhecido principalmente porque contém a versão original da amostra que US3 usou anos mais tarde no hit Cantaloop. O original Cantaloupe Island é um pouco mais lento, mas não menos atraente. Além disso, esta faixa é de longe a mais dançável do álbum. O tema é extremamente cativante que fará todos baterem o pé. Orientada para o blues, esta música tem uma espécie de sensação caseira, mas ainda assim obtém a sofisticação que faz parte do jazz. Soa sempre nova, mas familiar ao mesmo tempo. Finalmente, a última música do LP é The Egg, que tem um humor um pouco mais sombrio e uma percussão rítmica vanguardista. Começa com um tema de piano rítmico e, em seguida, a corneta surge com a melodia. Durante o decorrer da música, Freddie começa a improvisar enquanto o piano começa a degenerar lentamente e, no final, é improvisação. Então, num momento mais bonito, Ron Carter faz um solo misterioso no baixo usando o arco, o que não é comum na maioria dos conjuntos de jazz. Depois, Herbie no piano começa a tocar juntamente com o contra-baixo e estes fazem algumas improvisações lindamente subtis e minimalistas. Finalmente, a música retorna à melodia principal.

Ao final de contas, “Empyrean Isles” continua a ser um dos destaques da longa carreira de Herbie Hancock, e talvez o mais acessível. Embora as três primeiras faixas certamente não sejam tão arriscadas quanto The Egg, o álbum equilibra o hard-bop com as tendências experimentais, o suficiente para tornar este trabalho atraente ao mesmo tempo que oferece muita variedade e estruturas incrivelmente sólidas, que nunca diminuem a velocidade. Resumindo, “Empyrean Isles” é um álbum suave, com Cantaloupe Island a ser uma das peças de jazz mais reconhecíveis dos anos 60.

João Filipe

⭐⭐⭐

One thought on ““Empyrean Isles”, Herbie Hancock: Empírico do jazz

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

%d bloggers like this: